terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tertúlia Festa Brava faz balanço da sua estadia em Azambuja

Rui Casqueiro reforça a componente cultural da tertúlia e destaca alguns eventos futuros.
Azambuja, como é sabido é uma terra de aficionados, o que muita gente não sabe é que desde 2009 a vila alberga uma das mais antigas tertúlias tauromáquicas do país. Neste caso a terceira mais antiga, falamos da Tertúlia Festa Brava. O Valor Local conversou com Rui Casqueiro, o presidente desta associação nascida em Lisboa, mas que segundo o nosso interlocutor é de âmbito nacional. Surgiu nos anos 40 para os lados da Rua do Salitre, paredes meias com o Parque Mayer.

Segundo Rui Casqueiro, a Tertúlia Festa Brava nasceu há 70 anos, em Agosto de 1946, com a dissidência de alguns sócios e diretores do Grupo Tauromáquico Sector Um, que ao não concordarem com as políticas da direção da altura, resolveram então criar outra agremiação.

Entre a década de 40 (1948) e 2009, a tertúlia teve a sua sede na Praça da Alegria, em Lisboa, até que um incêndio consumiu o edifício, que foi prontamente demolido pela Câmara Municipal de Lisboa, proprietária do imóvel, o que segundo o nosso interlocutor causou uma enorme dificuldade na recuperação do vasto espólio adquirido ao longo de 60 anos: “Alguma coisa foi recuperada, mas muito se perdeu” diz-nos Rui Casqueiro. É no rescaldo do incêndio, e na busca de uma nova sede, que a Tertúlia Festa Brava chega a Azambuja.

Rui Casqueiro, por casamento, há já bastante tempo criou laços a Azambuja, tendo sido inclusive, e durante alguns anos presidente da direção do Centro Hípico Lebreiro de Azambuja, e como tal a vila ribatejana era uma hipótese para albergar a tertúlia. Ao contactar a Câmara Municipal, esta revelou "uma total disponibilidade para ajudar". Uma posição, segundo o presidente da Festa Brava, oposta à da Câmara de Lisboa, “onde, nem sequer uma medalha de mérito municipal que a tertúlia possui, serviu de argumento para conseguir um novo espaço ”. Azambuja era então a escolha lógica.

Estando então em Azambuja, uma pergunta se coloca: “Havendo tantas tertúlias na vila, a Festa Brava, apesar de todo o seu historial, não tem o receio de ser ‘abafada’ por estas e passar despercebida à população?”. Rui Casqueiro diz que não existe esse receio.

“É verdade que existe uma nítida confusão entre o que é a Tertúlia Festa Brava e as tertúlias de Azambuja”, tanto mais que ao iniciarem as conversações com a Câmara, tiveram de apresentar toda uma documentação a provar o seu historial, e atividade e mostrar que “a única coisa em comum entre a Tertúlia Festa Brava, e as de Azambuja é a designação de tertúlia”, pois “sem desprimor para as tertúlias existentes, estas focam-se na Feira de Maio e naquilo que a envolve, enquanto a Festa Brava tem uma atividade que desenvolve todo o ano na defesa e promoção dos valores da tauromaquia”. Para isso, organiza algumas atividades como colóquios, exposições, homenagens a nomes da festa dos toiros, algumas noites de fados, sendo que a literatura não fica de parte, tendo inclusive apresentado recentemente o livro – “O Homem e o Toureiro” da autoria de Manuel dos Santos.

Outra ação que “está na forja”, é um colóquio/debate, com a presença de representantes dos grupos parlamentares com assento na Assembleia da Republica e que são defensores da tauromaquia, além de um representante da Associação Pró Toiro, entre outros.
Apesar do grande apoio do Centro Hípico Lebreiro na execução destas iniciativas ao ceder o espaço, o sonho de Rui Casqueiro e da Tertúlia Festa Brava é voltar a ter uma sede física para albergar este tipo de iniciativas e como tal decorrem obras num espaço cedido pela Câmara Municipal no antigo Matadouro Municipal de Azambuja. No entanto, o espaço encontrava-se bastante degradado e a intervenção é mais morosa do que inicialmente se pensava.

Mas, Rui Casqueiro tem esperança, e espera que em maio de 2017 os associados da Tertúlia Festa Brava já possam ter o seu espaço que há anos anseiam.
Fonte: Jornal Regional "Valor Local"http://valorlocal.weebly.com

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