sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Toiros à solta em Coruche deixam moradores em pânico

Um animal saltou as tronqueiras durante uma largada e outro conseguiu fugir dos curros. Moradores da zona reclamam mais segurança durante as Festas de Nossa Senhora do Castelo para evitar que aconteça alguma desgraça.

Maria João Lima foi uma das moradoras do centro histórico de Coruche que viveu momentos de pânico durante as Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo, ao ter de fugir de toiros que circulavam fora do recinto das largadas. Um toiro saltou as tronqueiras no dia 16 e um outro soltou-se dos curros antes de começar a largada na manhã de dia 18.
A moradora de 60 anos regressava tranquilamente à sua casa, na Rua Joana Isabel Matos Lima Dias, com os dois filhos, a nora e uma amiga ao final da manhã de 16 de Agosto quando se deparou com um toiro, mesmo à sua frente. No desespero de fugir acabou por escorregar e caiu, conseguindo depois refugiar-se no Café Tadeia, localizado no Largo de Santo António. “Fiquei em pânico porque não sabia da minha nora que está grávida. O toiro estava mesmo ao pé de mim e tive muita sorte em não ser colhida”, explica indignada.
Na manhã de dia 18, Maria João voltou a ser apanhada de surpresa por um toiro que se soltou dos curros, cerca das 09h30. Os transeuntes e aficionados que por ali estavam gritavam “olha o toiro” e pediam às pessoas para fugir, mas Maria João pensou que se tratava de uma brincadeira. “De repente comecei a ouvir os cascos do animal a bater nas pedras e desatei a fugir para o largo da câmara”, recorda.
Um outro morador, Luís, de 54 anos, ficou durante dias com o joelho inchado e algumas dores depois de ter caído violentamente no chão ao tentar fugir do toiro que saracoteava pelas ruas. José Carlos Borrego, 66 anos, também não se livrou de um grande susto. “Se por acaso viesse trinta segundos depois era apanhado pelo toiro”, explica, adiantando que a situação só ficou resolvida quando dois indivíduos conseguiram controlar o animal e recolheram-no para os curros.
Os moradores reclamam mais segurança durante os dias da festa para evitar uma desgraça. Na opinião de alguns cidadãos, o recinto das largadas, que se estende do Largo de Santo António por algumas ruas da vila, deveria ser encurtado de forma a libertar o acesso ao centro histórico. “Estamos ali completamente bloqueados se for preciso passar uma ambulância para acudir alguém ou se houver um incêndio”, realça Maria João Lima.

José Tadeia não teve de andar a fugir dos toiros mas acabou também por se enervar ao deparar-se com um cenário de vandalismo na entrada da sua casa, na Rua Direita, na manhã de 19 de Agosto. Quando abriu a porta para regar as flores, encontrou os vasos tombados e partidos e terra espalhada por todo o lado.
“Estes vasos tinham um grande valor sentimental porque eram da minha mãe que faleceu há 12 anos”, lamenta José Tadeia. Indignado com a situação, o morador de 65 anos formalizou uma queixa na GNR de Coruche e critica o facto de ninguém ter feito nada para impedir a situação ou de não ter existido uma denúncia dos autores do vandalismo.
Proprietário do Café Tadeia, onde muitas pessoas se refugiaram para fugir dos touros à solta, José critica a “exagerada” dimensão da estrutura onde os toiros estão alojados durante as festas, tapando uma das entradas para o seu estabelecimento. “Não tenho nada contra os toiros e adoro as festas mas tem de haver um bocadinho mais de bom senso na forma de organizar as largadas”, comenta.
Fonte: O Mirante & Foto: João Dinis

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