Alcochete- Festas do Barrete Verde e das Salinas 2017- 11 a 16 de Agosto

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quinta-feira, 5 de março de 2015

Monsaraz- Santiago Morilla expõe olhar contemporâneo sobre a tradição taurina

A exposição do artista espanhol reúne os materiais resultantes da intervenção que realizou na arena da praça de touros do Castelo de Monsaraz, durante a festa do “touro da morte” em Monsaraz. O vídeo-registo da performance é acompanhado por esculturas site-specific, uma série de desenhos e um Pantocrator instalado na Igreja de Santiago.

Inaugura a 4 de março na vila medieval de Monsaraz “No Veo Nada” – a exposição temporária do artista contemporâneo Santiago Morilla que se debruça sobre a tradição do “touro da morte”. Com início pelas 14 horas no espaço da Igreja de Santiago, a iniciativa concebida no âmbito do novo ciclo de eventos da Trienal no Alentejo (TnA) vai estar patente até 31 de março.

“Não vejo nada” foram as últimas palavras pronunciadas pelo famoso toureiro Manolete, antes de sangrar até à morte ao sofrer o golpe desferido pelo touro Islero, na praça de Linares, a 28 de agosto de 1947. Dizia-se que Manolete era o ícone que representava na perfeição o toureiro mais puro, valente e honesto, e ainda hoje, há quem garanta que nenhum outro o superou na "matança".

Na vídeo-projeção apresentada em Monsaraz, um desenho em cal branca revela o rosto impassível de Manolete sobre a arena do pátio de armas do castelo, na grande festa do "touro de morte" durante as Festas em Honra de Nosso Senhor Jesus dos Passos. A tradição centenária que procede à matança do touro em plena praça foi permitida nesta vila medieval na véspera do evento, que decorreu no dia 13 setembro de 2014, e que consagrou esta garraiada como a última a ver aprovado o seu regime de exceção em Portugal.

No decorrer do festival, diletantes e demais aficionados saltam, tropeçam e bebem sobre a face do mito, apagando a sua imagem, até à sua completa desfiguração no cenário real e simbólico de uma dupla morte, a de Manolete e a do animal.
Além do vídeo-registo performativo da execução do desenho, o artista produziu esculturas site-specific, uma série de desenhos que se adoram e mutilam a si mesmos e um Pantocrator a ser instalado no altar da Igreja de Santiago. As palavras "no veo nada" estão ainda bordadas num capote personalizado com a imagem do toureiro mítico, simbolizando a impossibilidade de ver, em contraponto com a reverência a uma representação de algo que se adora.

Santiago Morilla é um artista multifacetado que trabalha em formatos como o vídeo, fotografia, multimédia e pintura. Natural de Espanha, é conhecido pela sua vertente urbana de intervenção em exteriores de edifícios, como é o caso da Fondazione Pastificio Cerere de Roma e a Real Academia de Espanha em Roma. É licenciado em Belas Artes pela Universidade Complutense de Madrid e estudou ainda no Media Lab da Universidade de Arte e Design de Helsínquia, na Finlândia. Sendo um dos primeiros jovens a quem o Museu de Ilustração ABC em Madrid dedicou uma exposição individual, em 2011, conta já com várias exposições nacionais e internacionais.

Este projeto insere-se na programação de 2015 da Trienal no Alentejo, evento organizado pela Associação Aspas e Parênteses que tem como objetivo trazer a esta região portuguesa alguns dos mais significativos nomes da cena artística contemporânea. As obras, inspiradas pelo património e imaginário alentejano, são depois produzidas e instaladas na região, mas também fora, nos grandes eventos mundiais, tornando-as consequentemente em veículos de promoção e divulgação nacional e internacional da especificidade e riqueza da sua cultura.

|Santiago Morilla – exposição/ instalação “No Veo Nada”, na Igreja de Santiago, em Monsaraz
  Inauguração: 4 de março (patente até 31 de março)

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